Pesquisar

Script Factory

Conta a tua história. A narrativa é uma das formas mais eficazes de interação humana.

Etiqueta

quentin tarantino

Melhores Filmes de 2015

Mais um ano. Mais uma lista. Os melhores de 2015 aos nossos olhos.

1. Revenant

revenant

O Iñárritu elevou-se nestes 2 anos ao patamar mais alto da elite dos realizadores. 2 filmes geniais que não podiam ser mais diferentes e mostram uma mestria absoluta em vários ambientes e com direção de atores completamente distinta.

Revenant é um filme perfeito. A todos os níveis. Só lhe falta uma leading lady forte. Tecnicamente irrepreensível, com especial destaque para a fotografia, é na mensagem e na representação que se torna uma obra prima. Leonardo di Caprio e o seu antagonista, Tom Hardy encarnam o tema principal do filme magistralmente.

E o tema principal do filme diz-nos respeito agora mais do que nunca. A avassaladora força de mudança, violência e caos que é a natureza. Transmitida, crua e dura como nunca tinha visto em mais nenhum filme. A árvore da vida mostrava mais tendencialmente o caminho da graça. O Revenant pode ser considerado o antagonista do filme de Malick e mostra-nos o caminho da natureza. Como destruímos tudo à nossa volta em nome do progresso e como somos selvagens ao fazê-lo. O reverso da medalha é dado em ambas as facões, do lado dos destruidores (Leonardo di Caprio) e do lado dos massacrados (índio que o ajuda), lembrando o caminho da graça de Malick. O Leonardo di Caprio quebra a 4ª parede e olha para nós, audiência, no final do filme. Como que a lembrar-nos da nossa responsabilidade, como que a lembrar-nos que a equipa do filme teve de ir para as zonas mais inóspitas e longínquas do planeta para encontrar locais naturais, sem presença humana.

 

  1. Hateful Eight

hateful 8

O western definitivo do maior fã do género. O Tarantino tinha feito o seu pior filme quando pegou no western (Django é um bom filme, mas é o pior da sua filmografia).

Com Hateful eight retira todas as dúvidas e faz um filme ao seu melhor nível.

Desde a metáfora da criação dos usa concentrada em 3 horas e nestes personagens, à banda sonora, à ausência total de centro moral, ao piscar de olho à Agatha Christie, aos twists fabulosos, aos diálogos desconcertantes, à maravilhosa homenagem ao cinema do passado e à formalidade (nos dias de hoje inexistente e esquecida) de se ver este formato de storytelling, Hateful Eight é o segundo melhor filme do ano.

 

  1. Mad Max: Fury Road

mad max

Quem diz que o Mad Max não tem história, não sabe ou não pensou bem na complexidade da arte de criar boas histórias.

E apesar de algumas características não serem propriamente fortes (o arco não é complexo, e não tem grandes twists), as que são fortes, são do mais potente feito este ano. A bíblia da história é magnifica (devem ter ficado 200 páginas fora do guião), a credibilidade (por isso mesmo) é intocável, a exposição para passar essa bíblia infindável de uma carreira é passada com equilíbrio exemplar, com cenas de ação inacreditáveis e uma representação feminina que literalmente rouba o protagonismo. Propositadamente. As mulheres são as estrelas neste filme tão sujo e selvagem. Brains against muscle.

Mad Max renasceu ainda melhor para a nova geração. Uma coisa raramente vista na história do cinema. Um reboot que ultrapassa o seu antepassado.

 

  1. Inside Out

Pictured: JOY. ©2015 Disney•Pixar. All Rights Reserved.

A história original mais engenhosa e brilhante de todas as histórias originais deste ano. Tem o invulgar mérito de ser um conceito, para além de uma boa história. Um fabuloso conceito que, no limite, dá para criar infinitas histórias a partir dele.

A Pixar, se quiser, pode fazer sequelas infindáveis de bons filmes com este conceitos. Longas, curtas, séries, é o que quiser. O conceito é tão bom que é empolgante só de pensar nas possibilidades de expansão que ele representa. Por isto, já devia estar considerado entre os melhores argumentos do ano. E por ter conseguido a coroa da Pixar, com uma concorrência de peso como a trilogia Toy Story, o Up e o Wall-e, é sem duvida um dos melhores filmes do ano.

 

  1. Carol

carol

A Rooney Mara é a apaixonada mais bonita, querida e credível da história do cinema. E Carol é uma das melhores histórias de amor.

Curiosamente, raros filmes captaram a paixão tão bem como Carol e Vida de Adele. Ambos intensos mas diferentes na abordagem, muito pela época que retratam. Enquanto que a Vida de Adele é explosivo e selvagem, a Carol é contido e carinhoso. E a face dessa contenção é a Rooney Mara. Perdidamente apaixonada e genuinamente rendida ao seu sentimento.

A Cate Blanchet volta a ter uma interpretação brilhante dando uma credibilidade inquestionável à história em momentos chaves como na reunião sobre a guarda da filha.

Os momentos de tensão entre as duas são o melhor do filme. Seja tensão sexual, seja tensão emocional, estes momentos têm poucas palavras mas passam como raramente um filme passou, um amor tão grande que cresce, e vemos crescer, durante o filme.

O guião aparentemente tem poucas palavras mas muito subtexto, sobre o desenvolvimento do sentimento das duas, a personalidade fascinante das personagens (a amiga da Carol é fabulosa) e a forma como se relacionam.

A Carol decide dar a guarda ao pai. Porquê? A dose de reflexão necessária que a levou a tomar essa decisão, e ela ama profundamente a filha, está nos seus atos, palavras e emoções dessa cena. E pelo subtexto Percebemos que não é um artifício gratuito para ultrapassar o problema e seguir com a história. Percebemos que ela pesou as vantagens e desvantagens de viver infeliz num segredo e o impacto que desvendar esse segredo teria para a filha e para ela própria. Não é preciso explicar, basta ver. E é nisso que o argumento do Carol é muito bom. Não é preciso explicar, basta ver.

 

  1. Anomalisa

anomalisa

Anomalisa é dos melhores retratos da humanidade nos dias de hoje. As piores características do ser humano estão representadas no personagem principal: Desligado. Desapaixonado. Desatento. Desumano. Cansado. Viciado.

Ele ainda tenta tirar a mascara mas está demasiadamente colada. A esquizofrenia final mostra bem a luta que cada um de nós devia estar a travar no seu interior neste momento em que a sociedade capitalista e individualista está a atingir picos preocupantes e dramáticos.

Filme que dá para inúmeras interpretações e até cabe, e muito bem, a teoria de que tudo foi uma noite de masturbação.

Animação verdadeiramente original é mais um factor para tornar o Anomalisa um filme inesquecível.

 

  1. Mil e uma noites

mil e uma noites

O melhor filme português de sempre, tinha de estar bem colocado nesta lista.

Primeiro porque é nosso. E depois porque é dos melhores filmes sobre a crise que afecta todos os países nos dias de hoje.

Com uma dose de humor negro à mistura mas na medida certa. Com uma surrealidade apaixonante e muito única do nosso país, este filme torna-se uma pérola muito original e ao mesmo tempo muito interessante e relevante para outros públicos não portugueses.

Com criticas estrondosas em meios internacionais tenho pena que não tenha tido mais reconhecimento nos festivais de cinema mundiais.

 

  1. O Sal da Terra

sal da terra

Vivemos tempos preocupantes.

O NY Times publicou um estudo, onde conclui que a humanidade nunca foi tão civilizada como nos dias de hoje. É possível, mas não podemos ter como termo de comparação o passado, principalmente se queremos evoluir. A evolução traz-nos responsabilidade. Para com o nosso planeta. É a nossa casa. De todas as espécies.

E não o estamos a tratar bem. Estamos longe de ser um exemplo de equilíbrio como espécie. Continuamos a reproduzirmo-nos de uma forma insustentável, às custas do extermínio de outras espécies e sem respeito pela existência e crenças dos nossos semelhantes.

Por isso, vivemos tempos preocupantes, independentemente do estudo do NY Times.

O Salt of the earth devia ser ensinado nas escolas. Em todas as escolas do mundo. O que a mulher de sebastião salgado fez, é das melhores cartas de amor ao nosso planeta. É simplesmente overwelming.

O exemplo máximo de altruísmo, o exemplo máximo do que nós, como espécie, deveríamos almejar.

Este exemplo é concretizado com uma ação especifica que no limite pode ser posta em prática por todos.

Para além de ser uma grande história com a protagonista mais inesperada, é pedagógico no sentido em que nos ensina e nós dá um exemplo de como fazer.

 

  1. Force Majure

force majure

Como uma premissa tão simples, pode criar um filme tão poderoso. É realmente maravilhoso como um acto (ou não acto), subtil, mínimo, discreto pode mostrar tanto sobre o carácter de uma pessoa e pode ter tanto impacto sobre os que o rodeiam.

Dotado de um sentido de humor terrivelmente negro, não deixa de ter imensa graça ver como esta pessoa reage à sua gigantesca falta de coragem e egoísmo entretanto desmascarada perante a sua família e amigos.

A ideia genial bastou para fazer o filme, mas não bastou para ser um grande filme. Muitíssimo bem filmado, com uma excelente fotografia e poderosas interpretações fazem deste filme um dos melhores de 2015.

 

  1. Relatos Selvagens

relatos selvagens

Como se contam 6 histórias sobre o limite selvagem do ser humano quando sabemos que somos capazes do pior?

Relatos selvagens consegue fazê-lo.

Acabamos de ver estas 6 fantásticas histórias com a certeza absoluta que é impossível captar melhor, a selvajaria do ser humano. Damian Szifron conta estas histórias assustadoras com um sentido de humor muito negro e apurado pelo que é difícil não rir com o nível inacreditável a que estas personagens chegam.

O que nos faz, de certa forma, cúmplices da loucura.

 

  1. A que horas ela volta?
  2. Look of silence
  3. Spotlight 
  4. El club
  5. 45 years
  6. Bridge of spies
  7. Tangerine
  8. Dheepan
  9. Lobster
  10. A tua mãe

Script factory

Anúncios

Melhor Filmes de 2009

 

bk0GylJLneaSbpQZXpgTwleYigq

1 – Inglorious Basterds

Sou apologista que os filmes que dão que pensar, que transmitem uma mensagem, são os que dão mais prazer em ir ver. Não é o caso do Inglorious Basterds. Não tem nenhuma mensagem específica, a não ser a típica “What if” e já vista noutros filmes. Neste caso é o maior “What if” da história do cinema (e dos mais credíveis) e só poderia ter sido levado a cabo por um realizador com um talento como o do Tarantino.

Inglorious Basterds é puro entretenimento, e nessa perspectiva dá que pensar. Não é também para isso que o cinema existe? O cinema também existe para que durante 2 horas o espectador tenha um escape, se entretenha, se divirta, e veja um filme de qualidade. O argumento é dos mais originais, divertidos e bem escritos do ano, o casting e direção de atores é sem dúvida o melhor do ano, a realização impecável, a fotografia excelente e a banda sonora do melhor que o Tarantino nos trouxe até agora.

A última deixa do filme pode parecer prepotente, mas se pensarmos bem na performance do filme talvez até não seja. Diga o que se disser, o objectivo maior de um artista é comunicar e ter reconhecimento crítico. Nesse aspecto este filme teve uma performance como poucos filmes na história do cinema. Liderou as bilheteiras mundiais durante o período que esteve em cena e teve das melhores críticas do ano. São feitos raros, lembro-me assim de repente de 3: Dark night, Titanic e Senhor dos Anéis. Nesse aspecto “esta poderá ser a obra-prima de Tarantino”. Os filmes de guerra nunca mais serão os mesmos depois deste IB. Não está ao nível de Pulp Fiction apenas e só porque não vai revolucionar o cinema (como o Pulp Fiction o fez). Para mim, é o melhor filme de 2009.

avatar

2 – Avatar

O que na minha opinião é o segundo melhor filme do ano, é exatamente o oposto do anterior. Este é o filme-mensagem do ano. De uma forma simples e acessível passa-nos a grande mensagem que todos precisamos de ouvir. Precisamos cada vez mais de respeito. Respeito pelos outros seres vivos, respeito pelas outras crenças, respeito pelo local onde vivemos, respeito por nós próprios.

Pode parecer uma história simples com personagens tipificadas, o que até é verdade, mas é importante que assim seja, se se quer assumir como um filme que passa uma mensagem para o mundo inteiro (o Avatar ajudou finalmente a “verdade inconveniente” do Al Gore a chegar ao mundo inteiro em massa). Para que seja universal é necessário que seja simples. E realmente a história e as personagens são mesmo a única coisa que é simples neste filme. Tudo o resto é do mais inovador que se tem visto até hoje. Mesmo que não se veja o filme em 3D, é absolutamente único, com um mundo criado de raiz que é simplesmente fascinante. A personagem feminina é excelente, é a alma do filme e personifica a ligação com a natureza de uma forma genial. Dá sentido a todo o filme, pois essa força, essa ligação com a natureza, é essencial para que tudo o que se passa no filme seja credível e coerente.

O Avatar dá-nos que pensar a vários níveis e faz analogias com inúmeras situações atuais e passadas na história da humanidade. Tudo o que acontece no filme não acontece por acaso. Aliás, nós, enquanto espécie humana, somos os vilões o que também é uma inovação. Se pudesse resumir todas as mensagens e sub-mensagens que este filme nos revela, escolhia uma cena do filme em que o avatar do jake está a pedir ajuda à tree of souls (elemento central, espiritual, e de equilíbrio de toda a civilização Na’vi) e diz: “Por favor Mãe, ajuda-nos a combater os humanos. Eles destruíram a Mãe deles há muito tempo. E agora vêm para destruir a nossa”.

Quem quiser ver a mensagem, vê. É clara. Basta ver as notícias. Basta ver a desflorestação galopante da amazónia e de sociedades de índios que lá vivem. Basta ver a incoerência da Guerra quando nos ensinam que matar é o pior crime que alguém pode cometer e depois nos mandam para matar os nossos semelhantes. Basta ver os testes nucleares no pacifico. Basta ver o aquecimento global a destruir o planeta. Basta ver isto. E nós, sociedades civis, vemos. Mas depois há sempre alguém com mais força que continua. Enquanto nós todos que nos preocupamos não fizermos nada contra, continuaremos apenas a ver. Obrigado Avatar pelo wake up call. Espero que tenha os seus resultados.

thehurtlocker1

3 – Hurt Locker

Uma das minhas cenas preferidas de todos os filmes que já vi, é do filme Jarhead do Sam Mendes. Para quem não viu o filme, passa-se na guerra do Kuwait, e a determinada altura o Jamie Fox e o Jake Gyllenhaal estão num cenário devastador. Estão numa cratera no meio de milhares poços de petróleo que foram queimados pelos iraquianos à medida que os americanos avançavam no terreno. Estes poços ao serem queimados deitavam fumo preto que cobriam totalmente os céus, ficando um cenário totalmente infernal.

No meio deste “inferno” o Jamie e o Jake estão os dois sentados numa cratera a ver todo este cenário e o Jamie diz: “Agradeço a Deus, todos os momentos que passo aqui na Guerra. Amo esta profissão do fundo do meu coração e não sei o que faria sem ela…. Urra”. Numa única cena, com um diálogo tão simples, mostra-se como o mundo seria melhor se todos fossemos como o Jamie. Com um auto-conhecimento completo que lhe permite saber quem é, o que quer, e para onde vai, sente-se totalmente realizado e feliz. Independentemente de como a Guerra e o inferno é interpretado pela maioria das pessoas, para ele é sinónimo de realização, e isso é que interessa.

O Hurt Loker faz um filme inteiro que assenta neste conceito. Enquanto que o Jarhead tem inúmeros problemas técnicos, de construção da história e até das personagens, o Hurt Loker não tem absolutamente nenhum problema enquanto filme. Tudo é feito na perfeição. Tudo o que aparece no filme é perfeito. O casting, a história, as personagens, a fotografia, a montagem, a realização, a banda sonora. Está tudo no lugar, para assim poder passar esta mensagem de que se te conheceres a ti próprio estás sempre no sítio certo, na altura certa para fazer o que é preciso.

Passa outra mensagem muito importante e que mais uma vez tem alguma ligação com a mensagem que o Avatar tenta passar. O Avatar mostra o que os humanos gostariam ou deveriam ser, e retrata-nos como seres pouco evoluídos com o único objectivo de sobreviver e prosperar à custa de tudo e todos à nossa volta. Quando o general está a atacar e destruir a árvore da vida dos N’avi, há qualquer coisa no olhar dele que vai para além do objectivo de sobreviver e prosperar à custa de tudo e de todos. Há um genuíno prazer na destruição. E essa é a outra das mensagens que Hurt Loker passa tão bem.

Explica o dirty little secret da guerra. Explica o prazer que os homens têm em fazer guerra com a desculpa que esta é inevitável. Este prazer é considerado polémico porque supostamente ele não deveria existir porque supostamente as guerras não deveriam existir, mas o facto é que ele existe desde que somos miúdos e queremos estar a disparar armas nos jogos de computador. O que é verdade é que ele existe e está aí o Hurt Loker para nos relembrar disso. Um grande filme sobre o tema “Guerra”. Explica a guerra melhor do que muitos filmes de referência já realizados no passado (interessante ser realizado por uma mulher).

up-in-the-air-1024

4 – Up in the air

Está repleto de mensagens que são transmitidas de uma forma divertida e inteligente. Constroi-se como uma comédia romântica, para depois poder destruir totalmente esse conceito de uma forma desconcertante e eficaz. È importante que assim seja para que a mensagem principal seja passada. Mais do que o filme pessimista do ano (embora com imensos momentos cheios de piada), é uma wake up call para todos nós. Uma wake up call diferente do Avatar, mas ambos se complementam com 2 mensagens fundamentais para vivermos melhor no futuro (e, como espécie humana, nunca precisámos tanto destas indicações como agora).

O bottom line do filme é: todos nós, cada vez vivemos mais “up in the air”. E sabem porquê? Porque cada vez que “descemos à terra”, só encontramos desilusões. E quando isso acontece preferimos voltar “lá para cima”. Cada vez vivemos mais desligados das nossas relações, mais egoístas, com menos disponibilidade para partilhar. E todos nós somos responsáveis por isso.

Embora ela seja a “vilã” do filme, foi uma personagem construída para nos mostrar como a nossa evolução e como os nossos princípios atuais (ou falta deles) contribuem para que as ligações pessoais sejam cada vez mais desvalorizadas. Mas nesse contexto, nem se poderá julgá-la, mas poderemos perceber onde estamos e para onde vamos.

É excelente a forma como o filme cria o homem-objecto nas mãos de uma mulher (que me lembre é o primeiro filme que faz isto de uma forma totalmente credível e descomprometida). Tem dos melhores diálogos do ano, com especial ênfase para o diálogo entre o Clooney e o noivo da irmã que de repente ficou com second thoughts antes da cerimónia do casamento. Os 3 atores principais estão todos no topo de forma, com representações brilhantes. É um dos filmes-mensagem do ano e transmite, de uma forma não forçada, uma mensagem bem importante nos tempos que correm. Por isso e pela realização e interpretações brilhantes merece estar no topo desta lista.

up

5 – Up

A Pixar está com a fasquia altíssima. Mais alta do que alguma vez esteve. Fizeram uma revolução no cinema com o Toy Story e desde aí têm vindo sempre a crescer de filme para filme. Sempre a inovar. E nos 2 últimos filmes conseguiram uma coisa que mais nenhum outro filme de animação alguma vez conseguiu na história do cinema.

Colocaram os seus filmes entre os melhores filmes do ano a par com todas as outras longa metragens “não animadas”. O Wall-E já fez parte da lista dos melhores filmes do ano passado. Mas com o Up conseguiram fazer ainda melhor. Sem deixar de ser um filme de aventuras e que os mais pequenos irão adorar, conseguem criar personagens inesquecíveis e conseguem criar 25 minutos do melhor que já se viu na história do cinema.

Só por causa desses 25 minutos (15 no inicio do filme + 10 no final), já fazia sentido este filme estar entre os 10 melhores filmes do ano. Como a Empire disse, se o filme mantivesse o nível dos primeiros 15 minutos, seria o melhor filme da década. É verdade. Como não mantém, é apenas um dos melhores filmes do ano. Na minha opinião, o 5º melhor.

Aprendemos a viver com Up, e ao vê-lo apercebemo-nos que na realidade nem sempre o fazemos como deve de ser. Ensina-nos a lidar com desilusões, com sonhos desfeitos (quando estes nos são vendidos ao segundo na nossa sociedade atual). A forma como ultrapassar estes momentos tristes da vida é tão simples… tão simples. E estas personagens mostram-no melhor do que ninguém. Ultrapassa-se com amor, com muito amor e humildade.

Não me lembro de ter visto o amor tão bem representado num filme há muito tempo. Aliás, é possível q seja das melhores representações do amor que já vi no cinema. E por isso, o Up é um filme muito especial. A grande revelação deste ano. Aprendam com ele.

2522519-watchman_

6 – Watcmen

Estreou no inicio do ano sem nenhumas pretensões (afastado de todos os festivais de referência) e assim continuou sem grandes intervenções nas melhores entregas de prémios de cinema mundiais. Para mim, é 6º melhor filme do ano.

Visualmente estrondoso, e altamente filosófico, é muito violento e rodeado de personagens negras, complexas e altamente carismáticas. Elabora um interessantíssimo exercício filosófico sobre a nossa sociedade que tem na personagem do comediant o seu expoente máximo. O comediant antes de ser assassinado ri-se e diz: “This is all a fucking joke”.

Depois de vermos o filme e descobrirmos a “trama” bem ao estilo de filme noir, percebemos o que ele quer dizer e não podemos deixar de sentir uma enorme empatia por esta personagem. Rorschac, é a par de Comediant, a personagem mais inesquecível do filme. É genial como a linha condutora do filme se vai desenvolvendo através de Rorschac e da sua investigação ao estilo de Filme Noir.

Será que precisamos mesmo de catástrofes para nos unirmos? It’s a milion dollar question que o filme deixa no ar, e que dá muito que pensar sobre os mais variados acontecimentos dramáticos que já passámos na nossa História. Tem a melhor “line” do ano: a determinada altura do filme, o Rorschac é preso e encarcerado numa prisão onde se encontram inúmeros prisioneiros que tinham sido colocados lá por ele. 70% da prisão quer vê-lo morto e a sofrer. No refeitório da prisão, Rorschac está na fila com um prisioneiro atrás dele que lhe diz que ele vai morrer naquele mesmo dia. O Rorschac pega no óleo a ferver das batatas e despeja sobre o corpo do prisioneiro que o estava a ameaçar, ficando este automaticamente desfigurado numa cena de violência extrema. O Rorschac vira-se para os outros prisioneiros e diz: “Vocês ainda não perceberam. Não sou eu que estou aqui preso com vocês. SÃO VOCÊS Q ESTÃO AQUI PRESOS COMIGO!!!!

Tem dos melhores genéricos que já vi e é de um realizador em ascensão que até agora só fez filmes brilhantes. Zack Snider. Um nome a seguir com atenção.

-Let-The-Right-One-In-Promotional-Still-let-the-right-one-in-16068426-1875-1255

7 – Let the right one in

Num ano em que os bons filmes de terror foram poucos, aparece um dos melhores dos últimos anos. Aparece nesta lista pois é muito mais do que um filme de terror. É uma excelente história com fabulosas interpretações. É uma história de personagens assombradas, é uma história assombrada que arrepia. É uma história daquelas que se contam ao redor de uma lareira e que todos nós gostamos de ouvir (incluindo as crianças). Nesse contexto é das melhores histórias do ano (a par talvez de Moon). E fala-nos de vampiros a sério. Para quem acha que estão a destruir a imagem dos vampiros, como eu acho, é refrescante continuar a ver vampiros assim.

Os vampiros podem ser sedutores, e toda a tradição assim o sugere, mas não podem ser tratados como personagens de um conto de fadas ou de uma série para teens. Os vampiros são como neste filme, são como nos vampiros do Carpenter e do Copolla, são como no 30 days of night. Assim vale a pena ver filmes sobre vampiros. De resto, e mesmo para quem não gosta especialmente de filmes de terror, vale a pena ir ver este. Os dois atores principais, que são duas crianças, estão fabulosos, e tudo no filme é bem feito desde a banda sonora, à montagem, à fotografia, etc. Um dos filmes do ano.

moon_movie

8 – Moon

Todos os filmes contam uma história. Mas existem aqueles que contam uma história para entreter, outros para passar uma mensagem, outros para afirmar manifestos políticos, sociais ou até filosóficos. E depois existem outros que simplesmente querem contar uma boa história. Como disse em cima com o Let the right one in, daquelas que todos nós gostamos de ouvir em reunião com os amigos, numa noite de verão na praia a olhar para o céu estrelado.

O Moon é assim, e na minha opinião é a melhor história do ano. Para além disso, bebe dos melhores filmes de sempre de ficção científica (2001, Alien, Espaço 1999 e Star Wars). A realização, montagem e fotografia são exemplares. E depois existe o Sam Rockwell. Não dá para perceber como é que ele não está nomeado para melhor actor do ano para os Óscares. Não só merecia estar nomeado, como provavelmente merecia ganhar. É simplesmente fenomenal. Aguenta um filme inteiro sozinho e nós nem damos pelo tempo passar. Depois de ver este filme não nos conseguimos esquecer da história. É daquelas que fica connosco. E claro que dá que pensar. É o Truman Show e o Big Brother do espaço. O realizador é o filho do David Bowie (Duncan Jones) e é o primeiro filme dele. Obrigatório ter atenção aos próximos trabalhos dele.

Fantastic Mr Fox 1

9 – Fantastic Mr. Fox

A melhor comédia do ano. Cada vez respeito mais o George Clooney pelas suas escolhas. O Wes Anderson já tinha coisas boas, mas com este filme superou-se e trouxe-nos um filme com um sentido de humor ao melhor nível. Já não me ria assim há muito tempo. São raras as vezes que me rio assim tanto num filme (talvez com os Monthy Python). A opção do stop motion foi acertada pois traz ainda mais piada à cara e aos movimentos dos bonecos. É uma comédia física e intelectual ao mais alto nível. Só não é o melhor filme de animação porque existe uma coisa chamada Up no caminho.

The White Ribbon_01

10 – Laço Branco

Os meus géneros preferidos no cinema são comédias e filmes de terror/violência (por isso gosto tanto do Tarantino pois mistura os dois estilos em todos os filmes que faz sem exceção – algumas das entrevistas do Tarantino têm potencial de stand up comedy). Tudo o que coloque filosofia na equação só melhora ainda mais o resultado (o que acontece a maioria das vezes com bons realizadores, pois quase todos eles têm esse background). Sendo assim, só posso apreciar bastante tudo o que Hanneke nos trouxe até agora (e obviamente não estou a falar de comédias).

Haneke voltou em grande forma com o Laço Branco, continuando com as suas teses sobre a violência moderna, mas desta vez aprofundou ainda mais e tentou ir ao cerne da questão. Funny Games, com uma história bem simples, já conseguia colocar bem presentes todas as questões essenciais sobre a violência moderna. A História da violência e Eastern Promisses de David Cronenberg também são clássicas teses sobre esta questão mostrando bem como as sociedades civilizadas estão “presas” e incapazes de reagir a uma situação de confrontação e conflito. Na minha opinião, os exercícios de Haneke e Cronnenberg são muito importantes para nós nos conhecermos melhor (como espécie humana).

Como está comprovado, o auto conhecimento só traz benefícios, e estes dois senhores contribuem e muito para o autoconhecimento da humanidade. A violência sempre existiu no ser humano, não é uma característica atual, é inerente ao mesmo. Com a chegada da religião e das leis das sociedades democráticas e civilizadas, ela simplesmente ficou “presa” e “amarrada”. Anda aí como sempre andou, mas “domada” por todos estes “novos” mecanismos que a própria sociedade criou (no caso da religião, há quem diga que não foi criada pela sociedade) para lidar com esta mesma violência. Por andar “presa” e contida, por vezes “explode” como aconteceu em Columbine. Haneke com o Laço Branco, consegue nos demonstrar este processo claro como a água, e por essa razão é considerado um ensaio de referência sobre a violência moderna nas sociedades civilizadas. Excelente em todos os aspectos, desde a realização, à fotografia, aos extraordinários desempenhos. Um dos filmes do ano. Ah… e by the way… ganhou a palma de ouro ao Inglorious Basterds… o que é automaticamente um ponto a favor.

Menções (fora do Top10):

11 – Where the wilds things are

“O FILME” definitivo sobre a infância da nossa geração (final anos 70 / década 80). Na altura em que tínhamos que inventar mundos e histórias para nos entretar. Hoje em dia, basta ligar a consola para viajarmos para esses mundos com um toque do comando.

12 – Serious Man

O regresso às origens dos Irmãos Coen, mas com ainda mais qualidade. Ao nível do melhor deles (Fargo, No Country, Burn), mas diferente. Sempre a inovar.

13 – Funny People

E porque os comediantes são as minhas pessoas preferidas da nossa sociedade, não poderia deixar de colocar este filme nos melhores do ano. Consegue, a par do filme “Comedian” do Jerry Seinfeld mostrar-nos este mundo e consegue nos explicar como é a vida destas pessoas. Os comediantes são pessoas assombradas, pois são normalmente pessoas inteligentes e muito sensíveis a tudo o que as rodeia. Por isso mesmo, conseguem captar o ridículo que é a nossa vida quotidiana em sociedade. Não deixam de se rir por isso (pois qualquer bom comediante só lhe interessa uma coisa acima de tudo: rir de uma boa piada ou de uma situação cómica seja ela qual for), mas também sofrem por essa mesma razão pois apercebem-se melhor do que muitas pessoas a incoerência que a nossa sociedade representa hoje em dia. O Adam Sandler merecia mais reconhecimento pelo seu papel. Já vem demonstrando que é um bom actor e neste filme está ao melhor nível.

14 – Drag me to hell

Acho que fui o único que gostou deste filme. Mas estou tão contente por ter o Sam Raimi de volta e em tão boa forma, que não posso deixar de o colocar aqui. Quem gosta de terror e comédia, está nas nuvens com Sam Raimi.

15 – Whatever Works

Não sei se este filme é de 2009 ou 2010, mas só sei que o Woody Allen também voltou à sua excelente forma (sim, aquela antiga que já não víamos á muito tempo) e isso é sempre um motivo de felicidade J. O Match Point foi genial, mas este filme é o regresso aos filmes iniciais de Allen. E quem é fã de Allen como eu, deveria estar cheio de saudades.

Segredo dos teus olhos – ficou fora deste top porque não o tinha visto. Depois de o ver tinha potencial para ficar entre os 10 primeiros.
scriptfactory.pt

Site no WordPress.com.

EM CIMA ↑